quarta-feira, 18 de junho de 2008

quarta-feira, 14 de maio de 2008

A política e os portugueses!

O Presidente da República (PR) conseguiu, desta vez, fazer-se ouvir na comemoração de mais um 25 de Abril. Num discurso muito interessante - mesmo que a memória não nos atraiçoe e saibamos que a teoria contraria a prática do próprio PR que foi também Primeiro-Ministro e líder de um grande partido durante 10 anos - o PR trouxe para a discussão pública a questão da descredibilização da actividade política e dos próprios políticos e o desencanto dos cidadãos perante a política. O Sr. Presidente da República chegou às seguintes conclusões (a partir de um estudo que encomendou à Universidade Católica):

a)Portugal tem uma juventude dinâmica, empreendedora e solidária mas muito afastada e desinteressada pela política; b) os portugueses estão notoriamente insatisfeitos com o funcionamento da democracia; c) os portugueses são favoráveis a reformas profundas na sociedade portuguesa; d) os portugueses são cépticos em relação à eficácia da participação através dos partidos; e) os portugueses são favoráveis à presença das mulheres na vida política, à criação de novos mecanismos de participação e à maior personalização do sistema eleitoral; f) os Portugueses são dos europeus com uma pior avaliação do funcionamento da democracia (além da Hungria e da Eslováquia, Portugal é o país europeu em que os cidadãos dão menos importância à política nas suas vidas).

Perante este cenário assustador, a pergunta é inevitável: O que fazer? Ou melhor, é possível fazer algo para mudar este quadro negro da democracia portuguesa?
O Presidente da República, que acusa os partidos políticos de serem responsáveis por esta situação, acha que sim, e já esta semana começou a reunir com juventudes partidárias (embora excluindo o Bloco de Esquerda dessa reflexão, devido a aspectos formais…).

Porque é que os portugueses não acreditam na política nem nos políticos?
1. Porque falta, na actividade política, sentido de compromisso/responsabilidade/responsabilização efectiva das decisões e actuações de muitos políticos (decisões erradas e prejudiciais para o país, o concelho ou a freguesia, nunca são verdadeiramente avaliadas, para além do voto do povo).
2. Falta coerência no discurso e actuação de muitos políticos (habituamo-nos, infelizmente, a considerar natural que um político em campanha eleitoral diga uma coisa para depois das eleições fazer exactamente o contrário). Falta verdade na política!
3. Falta transparência e abertura na comunicação com os cidadãos (só assim se compreende que, aliado ao alheamento dos próprios cidadãos, políticos manifestamente incompetentes ganhem sucessivamente eleições – o que dizer, por exemplo, do desempenho de Avelino Ferreira Torres, que nunca, em Marco de Canaveses, perdeu uma eleição?
4. Falta consciência efectiva de cidadania política. Habituamo-nos, desde pequeninos, que é fundamental a participação em actividades religiosas (catequese, missa, casamento, etc…) mas não fomos educados a ir a assembleias de freguesia, a conhecer o programa de um partido político ou a intervir em público. E talvez a política influencie mais as nossas vidas do que a religião…
5. Falta interesse (estratégico!) dos próprios políticos (e respectivos partidos) para fomentar a participação dos cidadãos (cidadãos passivos e menos informados são cidadãos menos críticos e menos incomodativos). Como é possível, por exemplo, que um candidato a uma Câmara Municipal como Famalicão, com 120 mil habitantes, seja eleito/sugerido, num partido, apenas por duas ou três centenas de cidadãos/militantes? É preciso acabar com o funcionamento dos partidos como se de clubes privados se tratasse. Acabar com o pagamento de quotas, como defendeu Luís Filipe Meneses, e universalizar a militância partidária, talvez fosse um caminho.
6. É preciso que os cidadãos escolham efectivamente os melhores, não só para o exercício do poder mas também para a oposição. Mas, aparentemente, na política, continua a vigorar a Lei de Gresham: a má moeda tende a expulsar do mercado a boa moeda, tal a blindagem que o próprio sistema político já se encarregou de criar.
7. Não se faz a renovação dos protagonistas dos principais cargos políticos. Também nos habituámos (desde pequeninos…) a ver sempre os mesmos nos mesmos cargos, independentemente da demonstração de competência que fazem no exercício dos cargos. (porque é que, por exemplo, a limitação de mandatos ainda não foi aplicada na Assembleia da República?)
8. Falta uma verdadeira educação nas escolas para a participação política. As escolas estão inundadas de clubes do ambiente ou da ciência, ou da Europa, mas não têm clubes direccionados para a formação e motivação para a participação política. O Papel da família e das associações não é suficiente para mudar mentalidades e comportamentos.
São apenas algumas ideias. O importante é que, como também afirma o presidente da República, não nos resignemos e acreditemos que é possível um Portugal melhor, mais justo, e, sobretudo, com uma democracia ao serviço do bem-estar de todos e não apenas de alguns.
Mas para isso temos que lutar muito nos tempos que se avizinham…




Sérgio Cortinhas


Texto publicado no Jornal Repórter Local

domingo, 4 de maio de 2008

Os Jovens e a Política



Conheça o discurso do Sr. Presidente da República nas comemorações do 25 de Abril.

E veja os resultados do estudo sobre os Jovens e a Política.

sábado, 12 de abril de 2008

segunda-feira, 31 de março de 2008

Freguesias querem ser ouvidas na reforma administrativa


Veja aqui algumas das conclusões do XI Congresso da ANAFRE, Associação Nacional de Freguesias, que terminou no passado Sábado, na Madeira.

quarta-feira, 27 de fevereiro de 2008

sexta-feira, 15 de fevereiro de 2008